domingo, 9 de agosto de 2009

You are not coming back

Então, na verdade, seria tão ruim assim se partisses?
No passo descompassado em que anda o meu desritmado coração, talvez não.
Talvez meu lábios sentissem falta do frescor quente que sai da tua boca, e o meu corpo da simetria que o lençol assume quando cola no arco das tuas costas descansadas.
Talvez, isso sim, talvez mais sentisse a falta do doce tapa que leva o meu sentido quando percebe o teu perfume, vagando por becos e esquinas, pelos quais eu nunca estive.
Ou ainda da tua voz pouco melodiosa, que diz disparates sensatos, em noites perdidas, com horas descontadas.
Mas tão qual é pouco, ainda que seja tudo.
Partir é o trem que te leva pra fora de casa e pra dentro do desconhecido. É tudo que vais levar; onde meus braços ficam, e os abraços desencontrados se vão; e o tudo que deixas, como as roupas amassadas, os tênis desamarrados e uma marca indelével, que mistura todos os sensos despretensiosos.
Seria tão ruim se partisses?
Essa é uma resposta que exige mais de mim do que meras palavras concatenadas numa frase. Uma resposta que vai além da consciência, cabeça, mente .
Mexe com o olhar, o sentir, o provar.
Mas no final, talvez, não seja válido questionar o partir. Só posso deixar a porta aberta, como sempre faço.
Esperando pela volta, ou pelo desconhecido.
De qualquer forma, mesmo que partas, nunca vais estar só. Ainda que eu não esteja contigo.
Assim como eu também não ficarei só, ainda que sem presença física. Ambos sabemos.
Só penso se assim seria ruim.

6 comentários:

Paulinha* disse...

o pior é se partir, e a gente descobrir que foi o pior a se fazer!

Fernando R. Silva disse...

Tay, quando entro no seu blogue e me deparo com um texto como esse, que fecha com a minha verdade, sinto até calafrios.

Do título, então, nem comento.

Mas o mais belo que escreveste é "Seria tão ruim se partisse?"

É chegada a hora que tamanha é a dor, que é melhor deixar ir, sabendo que não volatrá, embora a romântica esperança ainda entoe que há retorno.

Esperança. Amo quando ela me corresponde. Odeio quando não o faz.

Jaqueline Lima disse...

partidas são sempre ruins por inúmeros motivos:saudade, vontade, o acostumar-se, o desfazer. o que parecia certo parece que deixa de ser. e começamos tudo de novo...

mas faz parte, não existe obrigaçoes de ninguém para com ninguém, aoenas a vontade de estar...


beijos!!!

Guilherme Franco disse...

Nice, parece que aprendeste a sentir - nesses nossos modernos tempos desérticos (e coloridos)...
um beijo.

Viviane de Campos disse...

parece q vc até sabe o q acontece na minha vida... tem sempre algo relacionado ao q estou vivendo...
deixei alguém partir, na verdade dei partida a alguém e como dói...
amar e saber q é melhor ficar só....
como sempre seus textos são lindos

bjs

Sisa disse...

Lindo, como sempre. Olha, moça, nem sempre comento, mas sempre estou aqui te lendo, viu?

beijos!