quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Teu pai toca, tua mãe dança, ah ah ahhhh!

Minha rotina no trabalho quase todos os dias é a mesma: chego, ligo o pc, abro o site do jornal, abro meu email, respondo os mais interessantes, e tiro uns minutos pra ler os blogs e sites que eu gosto. Terminado, eu pego meu mp4, ligo e fico ouvindo as minhas favoritas enquanto redijo as minhas matérias.

Passando umas 2 horas, já to extremamente cansada de ficar ouvindo as mesmas músicas.
Tá certo que tem umas trocentas e cinquenta e duas músicas no arquivo, mas experimenta ouvir repetidamente todas pra ver se não cansa também.
Enfim, continuando...

Tem uma hora que me dá nos nervos e resolvo me arriscar em algumas rádios daqui.
Pra quem não sabe, o Pará é a terra do brega.
Tá bom, também tem Calypso, mas brega, brega, é um negócio meio diferente, podem ouvir aqui e aqui.
Por falar em Calypso, fugindo ainda mais do assunto, só um comentário: no Pará não tem só Calypso, porra! Nada contra, lógico. Mas viajei um tempo desse, e pra todo mundo que eu falava que era do Pará, soltava o "Calyyyyyyyyyypsôôôôôôôô...!". Foi meio irritante, sabe. E outra, Calypso não é brega, é calipso. Eu estive em Floripa no mês passado, e tudo mundo pensava que brega era sinônimo do Joelma e Chimbinha. Mas não é.

Volta pro texto, Taynar!
O Pará é a terra do Brega, e sendo Belém a capital, vocês não tem noção do tanto que toca por aqui. E eu, arriscando o meu bem-estar rockístico, meio que me divirto ouvindo. Hoje, foi até uma tarde dessas, por isso, resolvi escrever. Mas acreditem: eu não entendo muito, então me perdoam se eu pecar alguma hora.

Nas rádios, como eu já disse, nos carros, nas festas, e, principalmente, nas aparelhagens, o que dá por aqui é mesmo o brega.
É assim: tem um ou mais Djs, umas caixas de som super potentes, umas luzes que mais parecem aquelas de farol (Dá realmente pra ver no céu, há uns 10 kilometros de distância), e segundo um amigo meu, tem telão que só rivaliza com os que têm nos shows do U2! (Não sei se foi o efeito do álcool, mas ele jurou que só o Super Pop, ou o Rubi, ou podia muito bem ser outra, e o U2 tinham um telão daquele!). Aí, rolam os bregas e o pessoal sua que nem um pupunha dançando. E aqui eu assumo: em tooooooooooodos esses meus muitos 22 anos, só fui uma vez. Mas, quem vier no Pará, não pode deixar NUNCA de ir numa aparelhagem. Fora que TODAS têm o seu símbolo. Tem o S do Super Pop, a pedra do Rubi e o P do Príncipe Negro, que todo mundo tem que saber fazer com as duas mãos. É uma coisa de doido, que eu nunca acerto. Tenho té uma foto tentando fazer o 'S', que ficou igual à um 'Z'.

Enfim, as músicas dão realmente vontade de dançar, mas as letras, são as coisas mais legais de se ouvir, e com certeza, o ápice da criatividade.
Lembro que teve uma micareta que eu fui, há uns zentos anos, que até o Ricardo Chaves tinha aprendido a letra de uma e cantou. Era a da Lavadeira. Algo do tipo "vai, lavadeira, lavar, lavar a leda...".

Mais pra frente, mas um pouquinho ainda lá atrás, o sucesso era uma com o refrão: "teu pai toca, tua mãe dança, ah, ah, ahhhhhhh". Mas já tivemos, de lá pra cá: "se fingindo de mocinha, com um dj considerado a detonar, eu juro você vai pagar", a poética "tic-tic-tac eu vou esperar e o relógio eu vou quebrar, pro tempo não passar e a gente se amar", também não posso me esquecer do "Val, pescador, Val, pescador, você é quem comanda o coração das super xanas", e a "sou das coelhetes, meu amor, te amo tanto, você nasceu pra mim, meu S. coelho, I love you". Ninguém soube me explicar ainda quem era o tal pescador ou mesmo o S. Coelho, mas como eu disse, de uma poesia onírica.

Agora, a que toca TODA HORA (acreditem, é toda hora MESMO) é "lábios tão vermelhos, lábios tão bonitos, é o amor, eu não posso esquecer dos lábios, num quarto fechado, eu não páro de pensar em você". Eu acho qúe só ouvi essa música umas 859.623.584.545.498 vezes esse julho de férias. Quase nada.

E ainda têm as galeras, que são o pessoal que vai, frequenta sempre, e curte (eu acho! Tentei pesquisa na internet, mas não achei muita coisa, e como eu disse, não sou frequentadora assídua). Eu já ouvi bregas do galera do Pote, do Tapanã, das Coelhetes, Rock (!?), e por aí foi. Sabem as músicas, e principalmente os passos. É um tal de rodopio, joga pra cima, roda que nem pizza, desce, enrola a mão com o lado, enquanto o parceiro sai rodando pela outra... Que minha nossa Senhora! Só consigo dançar, e olha que mais-ou-menos, depois de algumas doses, porque senão, é dedão de alguém engessado.

Pra quem ficou interessado, eu recomendo esse site, pra ouvir algumas coisas.
Mas se vocês querem mesmo saber, o Youtube é o lugar com as pérolas.
É tudo de uma riqueza artística, digna das letras...

O Pará não é só açaí.
E, falando nisso, o que é o açaí que se toma fora daqui, hein??
Mas isso já é assunto pra um outro post.

2 comentários:

Gustavo Pinto disse...

Bom, só fazendo um comentário a respeito do brega com o Pará.



Voltando um pouco, lá pra década de 50, quando o brega ainda nem pensava em ser um espermatozoide, existia um grupo de negros nos eua que se reunião pra fazer um certo 'barulho'. O négocio deu certo, e a brincadeira foi ficando séria.. Até que surge um branquelo azedo que atendia pelo nome de Elvis, e popularizou de vez com aquilo que eles chamavam de rock :)



E o que isso tem a ver com o brega do Pará?



A batida que até hoje é tocada pelo internacionalmente conhecido Dj Dinho nas mais modernas aparelhagens do techno brega, é aquela que vem dos surbubios norte-americanos, sem tirar nem por. É verdade (uma pena não poder reproduzir aqui o tum-tum pá). Não quero tirar o mérito do Dj Dinho que mostrou pro Brasil inteiro como se faz música pra todas as classes dançarem.



Mas se for pra referênciar o que é nosso de raiz, porque não citar o carimbó?

Todo julho, em marudá acontece o festival do folclore, onde a cidade praticamente duplica em número de pessoas que vão ouvir, basicamente, carimbó. Todo domingo no mormaço tem 2 a 3 horas de carimbó. Em salvaterra, uma das maiores cidades da ilha do Marajó que vive basicamente do turismo, as excursões são recebidas com roda de carimbó. Sem falar na ilha de algodoal.



Podem pensar que isso é um fruto genuinamente paraense, que não se dissemina pelo resto do pais. Mas pelo contrário! Conheces o Jorge Mautner? Ele mais o Jorge Aragão e o Jorge Vercilo fizeram um espetáculo (que virou cd/dvd) onde eles também cantam carimbó!



Novamente, não quero desvalorizar o brega. Só acho que o Pará tem muito mais que açaí, cupuaçu, bacurí, etc. Outras coisas também precisam ser mais valorizadas e elevadas. :)))

Gustavo Pinto disse...

faltou só terminar com um famoso verso do Ruy Barata..

"só lembrar da mardita me lembrei de abaeté"

poisé, poisé ... :))