segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ei, tem algo de novo na tua sala...

Eu ia escrever sobre um assunto completamente diferente, para o qual eu já tinha feito um bando de pesquisas, e blá blá blá whiskas sachê, quando eu decidi... Foudasse, vou escrever outra coisa.

Na verdade, outro dia eu pensei muito sobre o tal do elefante no meio da sala.
Não sei se vocês já leram sobre isso, ou coisa assim. Agora não consigo lembrar onde li pela primeira vez sobre essa teoria/pensamento/analogia/história, mas enfim...

É mais ou menos aquilo: tem um diabo de um elefante gigaaaaaaaaaante no meio da tua sala, mas tu simplesmente finges que ele não existe. Andas com cuidado no entorno, pra não esbarrar no bicho, não falas muito alto, porque vai que ele acorda, és capaz de até deixar uma verdurinha pelo chão (Ops! Caiu!), mas jamais assumes que tem um paquiderme na tua vida, e se alguém te perguntar, com certeza vais chamar o doido de... bem, doido! E afinal, se o dono da casa não vê o elefante, os outros acabam fingindo que não o vêem também, e assim dá-se o soneto...

Não é que tu não vejas o elefante ali, simplesmente... Se tu assumires que tem um problema, vais ter que lidar com ele, certo?
E lidar com problemas...
É, lidar com problemas, às vezes, é uma coisa bem chata.

É geralmente o caso da situação mal-resolvida.
Um trabalho que não te satisfaz, um namoro meio boca, uma amizade complicada...
Uma situação que exige trabalho, dedicação, e principalmente, muito estresse pra contornar, resolver e deixar pra lá.
Então, vais levando, empurrando com a barriga, fingindo que tá tudo bem, dizendo que o trabalho vai ser diferente, mais instingante amanhã; a chama vai reacender no namoro e vocês dois vão superar milagrosamente os problemas e serem amigos para sempre.
Bom, a não ser que tu te chames Cinderela, Bela, Ariel, ou qualquer outro nome registrado pela Disney, as coisas não funcionam assim.
Ainda tem um elefante na tua sala.
O que fazer?
Vender todos os móveis e fingir que adotastes o modo clean de ser na vida, ou assumir o problema e mandá-lo de vez pro Zoológico?
O negócio é complicado.

Sou a favor do grito, da briga, do choro, da solução.
É sair pra procurar um outro emprego, às vezes sem a mínima perspectiva, com dez contas em cima do criado mudo; é ficar sozinho nas noites de sábado, se sentindo o último dos seres humanos, enquanto todo mundo tem companhia; é ter que esquecer o que já foi uma grande amizade, porque nem o acaso salva algumas coisas.
É deixar pra trás certos preconceitos, vestir a armadura, calçar as botas de combate, selar o cavalo e ir pra batalha.
Na teoria, é tudo simples: lutar, lutar e quem sabe, triunfar.
Mas na prática, o bicho pega, literalmente, e esse quem sabe se torna mais doloroso, sangrento e perigoso.
Talvez tu amargues anos sem um emprego, tendo que viver à mingua, tenha que aturar o odioso Dia dos Namorados sozinho por igual anos, sem nunca achar a costela que finalmente te esquente, e tenha que ver quem um dia chamastes de 'amigo' te virar as costas e te esquecer.
Nobody said it was easy.

Quem sou eu pra mandar alguém lutar, quando, talvez, tenha meus próprios mamíferos entulhando cantos da minha casa?

Mas não sei se aguento viver no quase pra sempre.
Tendo que mentalizar constantemente aquilonãoestálá-aquilonãoestálá-aquilonãoestálá. Vivendo uma vida pela metade, sorrindo pela metade, prendendo a respiração, esperando o momento do bicho andar e destruir toda casa, o momento em que tudo vai cair.
Porque só no momento em que tudo cai, na famosa volta de 360° graus, tu consegues respirar até o fundo, soltar o putaqueopariu! e pensar como conseguistes viver t a n t o t e m p o assim.

Não tenho nada contra elefantes, desde que eles estejam na seu habitát, não na minha sala, atravancando a minha vida.
Resolver problemas é chato, dói pra burro e muita das vezes, a situação foge totalmente do teu controle, transformando a tua vida de uma forma completamente nova, diferente, algo com o que tu vais ter que te adaptar.

Mas quem disse que novidade é algo ruim?

Ter um elefante na sala, e ainda fazer com que ninguém comente.
Ter um elefante na sala...

Não quero mais ter elefantes na minha sala.
Mas e quando o elefante não está na tua sala, mas a outra pessoa não quer enxergá-lo, preferindo viver no faz-de-conta e te fazendo crer que é melhor assim?
O que fazer quando o elefante não está contigo somente, mas ainda te afeta?

Tu lutas, ou esqueces o elefante lá?

2 comentários:

Gustavo Pinto disse...

Também não tenho problemas nenhum com elefantes. Nem com largagos, cobras, ou tigres. Mas tem muita gente que tem um desses últimos nas suas salas. E eu não falei no sentido figurativo :)

Algum aficionado por elefantes, com uma sala não tão modesta, pode ter um também. Até que o denunciem para o ibama.

Brincadeiras a parte. Todo mundo tem seu elefante na sua sala, no quarto, ou no banheiro. Se a pessoa enxerga ou deixa de enxergar, é o problema a ser encarado (ou deixado de lado).

Quem sabe a barreira para escrever sobre algo diferente também não poderia ser encarado como um filhote desses, bem gordinho passeando pelo quintal.


?

O Equilibrador de Pratos disse...

Tão delicadamente Sacamano este texto...

Sacamano